7 – O Guerreiro Pagão

O Guerreiro Pagão – Bernard Cornwell

Sinopse: Após um incidente envolvendo um abade, Uhtred, um dos últimos senhores pagãos entre os saxões, se vê atacado pela Igreja e por seus seguidores. Sem suas terras e com poucos homens, tudo que lhe resta é colocar um ousado plano em prática: recuperar Bebbanburg, a fortaleza onde cresceu e que foi tomada por seu tio. Porém, o que Uhtred não sabe é que sua missão pessoal vai colocá-lo num ardil capaz de reacender o confronto entre saxões e dinamarqueses, que pode selar de uma vez por toda o destino da Britânia e de sua rivalidade com Cnut.

Muito bem, vamos aos fatos: após a morte do rei Alfredo no livro anterior, seu filho Eduardo está no trono e o reino passa por um leve período de paz. Uhtred vive agora sem o peso de precisar defender o novo rei, já que seu juramento estendia-se apenas ao falecido Alfredo. Portanto, nada melhor do que descansar um pouco e apenas cuidar das lavouras, certo? Nada disso!

Como a própria sinopse já nos adianta, Uhtred tem um grande desentendimento com a Igreja, o que o força a deixar seu lugar de descanso e partir em busca de outras coisas. Nesse momento, percebe-se a grande importância que o autor dá à religião em seus livros, trazendo-a sempre à tona nos momentos importantes e muitas vezes mudando o rumo de diversos personagens, como é o caso do nosso protagonista.

Se você me disser que as guerras terminaram, então eu saberei que as paredes de escudos serão formadas muito em breve. – Uhtred de Bebbanburg

O Guerreiro Pagão também fala de vingança, de honra, da vontade de recuperar o que é seu, e é nessa parte que entra Bebbanburg, a fortaleza inexpugnável onde Uhtred nasceu e que foi covardemente tomada pelo seu tio Ælfric há muitos anos, quando ele ainda era uma criança. Percebam, portanto, que praticamente 40 anos se passaram (Uhtred tem 52 anos nesse 7º livro da série, pelas minhas contas) até ele ter a grande oportunidade de rever o seu antigo lar. Imaginem o tamanho da raiva, da vontade, da NECESSIDADE de retomar aquele lugar que é seu por direito e viver ali para sempre. Dá até para sentir na pele o que Uhtred está passando, e é certamente isso que me faz gostar tanto desse personagem desde a primeira vez que me foi apresentado.

Bebbanburg

Bernard Cornwell inspirou-se nesse castelo para criar Bebbanburg.

Nem é preciso mencionar que o autor usou e abusou das paredes de escudos nesse livro, pois são tantas batalhas memoráveis e destinos traçados que é impossível passar um livro só sem uma descrição magnífica de como os soldados “se abraçam como amantes no meio de uma selva cheio de perigos”, de como o homem ao seu lado é o seu melhor amigo e irmão, de como uma espada curta é muito melhor que uma espada longa nesse tipo de embate, de como os escudos devem se manter unidos e o seu braço jamais fraquejar.

E nós gritamos. Nós gritamos nosso grito de guerra, nosso brado de matança, nossa alegria em sermos homens que eram movidos pelo terror.

Ele estava olhando nos meus olhos. Um homem que usa uma espada com habilidade mortal sempre encara os olhos do seu oponente.

Vale destacar a crescente ameaça dos dinamarqueses vindos do norte, entre eles os temidos Sigurd e Cnut, sempre perigosos e procurando algum modo de derrotar os exércitos saxões e tomar de uma vez a Britânia para poderem chamar de sua. Outro ponto revelante é o conflito pessoal de Uhtred com os seus filhos. Um deles é seu caçula e está se tornando um guerreiro, por isso recebeu o mesmo nome do pai Uhtred. Já o outro é seu filho legítimo e não tem a menor vontade de partir para a guerra, preferindo ser um padre, o que leva à ira de Uhtred e o seu posterior abandono, já que seria inadmissível para ele um guerreiro de renome “ter um filho que se esconda por baixa de uma túnica”, segundo suas próprias palavras.

Bernard Cornwell nos brinda com uma empolgação crescente a cada página virada, preparando-nos para um final épico, de tirar o fôlego, minuciosamente preparado durante todo o livro. Fiquei satisfeito com isso, pois, apesar de já imaginar como o livro acabaria, o desfecho foi tão bem escrito e planejado que é impossível não gostar desse livro. Certamente uma leitura e tanto, não só para quem gosta de Uhtred, não só para quem gosta de vikings, mas para quem é apaixonado por batalhas e, principalmente, por paredes de escudos.

Esse é um livro de respeito, uma verdadeira obra de arte em se tratando de romance histórico e/ou ficção histórica, como é comumente taxado o gênero de escrita do autor. Um mestre em batalhas, uma lenda viva para quem quer saber mais principalmente sobre a Inglaterra e os seus antigos conflitos, já que o autor sempre se utiliza de histórias reais para criar os enredos dos seus livros. Enfim, para finalizar, fica a dica: leia essa série! O quanto antes, o mais rápido possível.

Wyrd biõ ful ãræd: o destino é inexorável.


Por Vagner Stefanello. Resenha transcrita do blog desbravandolivros.blogspot.com.br.

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